Um novo posicionamento científico da American Heart Association (AHA) traz informações animadoras para os apreciadores da bebida mais consumida no Brasil. De acordo com a organização, ingerir até 400 miligramas de cafeína diariamente, volume equivalente a aproximadamente três ou cinco xícaras de café de 240 mililitros cada, apresenta-se como seguro para a maioria dos adultos e pode estar vinculado à proteção do sistema cardiovascular.
Os achados da pesquisa indicam redução significativa no risco de várias condições cardíacas quando há consumo adequado da bebida. Entre as doenças cuja incidência pode diminuir estão infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, hipertensão arterial e diabetes tipo 2. A constatação representa uma mudança positiva no entendimento sobre os efeitos do café na saúde humana.
Os pesquisadores apontam que os benefícios observados ultrapassam os efeitos diretos da cafeína. A bebida contém compostos naturais com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, entre eles ácidos clorogênicos, diterpenos, trigonelina e melanoidinas. Estas substâncias atuam na melhoria da sensibilidade à insulina, fortalecem o funcionamento dos vasos sanguíneos e colaboram para o metabolismo adequado da glicose. A complexidade dessa composição explica por que estudos também registraram benefícios no consumo de café descafeinado.
A American Heart Association estabelece uma distinção importante nas suas recomendações: os benefícios identificados referem-se especificamente ao café e, em menor proporção, ao chá. Os resultados não devem ser extrapolados para bebidas energéticas, suplementos ou produtos com concentrações elevadas de cafeína, que oferecem riscos potenciais ao coração. O consumo excessivo dessas bebidas pode ocasionar elevação da pressão arterial, arritmias e outros efeitos prejudiciais ao organismo.
Os especialistas recomendam que o consumo de café ocorra com equilíbrio, integrado a um modo de vida saudável que englobe alimentação adequada, prática regular de atividades físicas e consultas médicas quando necessário. Embora os resultados divulgados sejam considerados promissores, a organização reforça que o café, isoladamente, não substitui comportamentos saudáveis nem os tratamentos médicos prescritos para prevenção ou gerenciamento das enfermidades cardiovasculares.