O Palácio do Planalto anunciou na quinta-feira (23) a extensão dos incentivos fiscais aos combustíveis por um período adicional de 30 dias. A decisão entra em vigor a partir do domingo (26), substituindo o cronograma inicial que previa o encerramento das medidas naquele sábado (25). O auxílio à gasolina permanece fixado em R$ 0,44 por litro, enquanto o diesel continua recebendo R$ 1,12 por litro em subsídio direto.
A manutenção desses benefícios responde ao acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, particularmente os desentendimentos entre Washington, Tel Aviv e Teerã, que vêm pressionando as cotações internacionais de petróleo. Esse contexto instável no mercado global impulsionou os preços dos barris, levando o governo a sustentar as políticas de contenção de custos para o consumidor final. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) continua operacionalizando o repasse dos recursos aos produtores e importadores do setor.
Inicialmente, o governo havia considerado descontinuar o subsídio à gasolina após sinais de possível distensão diplomática entre Estados Unidos e Irã no mês anterior. Porém, o presidente americano Donald Trump comunicou posteriormente que as negociações não avançaram, reintensificando a volatilidade nas bolsas de petróleo. Como reflexo direto, o barril Brent ultrapassou novamente a casa dos US$ 100, atingindo o patamar mais elevado dos últimos dois meses.
Complementando essa estratégia, o Congresso Nacional referendou na semana passada uma extensão de dois meses à Medida Provisória que instituiu os subsídios ao diesel, garantindo a estabilidade orçamentária para o setor de transportes e produção. Em paralelo, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 32%, vigente por 180 dias. Essa iniciativa visa fortalecer o uso de biocombustíveis nacionais, reduzindo a vulnerabilidade às oscilações do petróleo no mercado internacional.
Essas medidas integram uma estratégia governamental multifacetada para proteger consumidores e segmentos produtivos contra as flutuações do mercado global. A combinação entre subsídios diretos, prorrogações legislativas e aumento de biocombustíveis demonstra o esforço em manter a estabilidade econômica doméstica diante de cenários internacionais imprevisíveis e adversos.