Julho Amarelo: Brasil intensifica campanha contra hepatites virais silenciosas

Julho Amarelo: Brasil intensifica campanha contra hepatites virais silenciosas

A campanha anual conhecida como Julho Amarelo reforça a necessidade urgente de diagnóstico e tratamento preventivo das hepatites virais no país. Segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), a conscientização sobre essas doenças é fundamental para reduzir casos de cirrose e câncer hepático. O movimento, descentralizado em todo o território nacional, mobiliza profissionais de saúde nos municípios brasileiros para ações educativas junto à população.

As hepatites virais provocam inflamação aguda ou crônica do fígado e são classificadas conforme o tipo de vírus causador: A, B, C, D (Delta) e E. No contexto brasileiro, as variantes mais frequentes são as hepatites A, B e C. A característica mais perigosa dessas infecções é sua progressão silenciosa: a maioria dos pacientes permanece sem apresentar sintomas por períodos prolongados, dificultando o diagnóstico. Quando os sintomas aparecem, costumam ser confundidos com condições rotineiras como cansaço, mal-estar e falta de apetite.

Apenas em estágios avançados surgem sinais mais evidentes, como amarelamento da pele e olhos, urina escura, fezes pálidas, dor abdominal e coceira intensa. Segundo especialistas em hepatologia, o fígado possui grande capacidade de compensação funcional, permitindo que permaneça inflamado durante anos sem produzir sintomas perceptíveis. Essa característica aumenta o risco de complicações graves, incluindo cirrose e neoplasias hepáticas. Pacientes sem tratamento apresentam taxa de 30% a 40% de progressão para cronicidade ao longo da vida.

A prevenção concentra-se em três pilares principais: vacinação específica para cada tipo de vírus, realização de testes diagnósticos e adoção de medidas comportamentais adequadas. A imunização contra hepatite B é recomendada para toda a população, especialmente profissionais da área de saúde, pessoas com múltiplos parceiros sexuais, portadores de HIV, pacientes renais crônicos e imunocomprometidos. A vacina para hepatite A é indicada para crianças, homens com práticas sexuais entre homens e viajantes para regiões endêmicas. As práticas comportamentais preventivas incluem evitar compartilhamento de itens perfurocortantes como alicates de unha, lâminas de barbear e escovas de dentes, além de uso consistente de preservativos.

A testagem representa medida essencial para detecção precoce das infecções. Recomendações indicam que todas as pessoas sejam testadas ao menos uma vez para hepatites B e C, prioritariamente aqueles acima dos 40 anos. Públicos específicos devem realizar testes rápidos, incluindo usuários de drogas injetáveis ou inaladas, conviventes com HIV, profissionais expostos a sangue, pessoas com tatuagens e piercings, gestantes e parceiros sexuais de portadores. Para grávidas, o diagnóstico precoce via exames de sangue na rotina pré-natal é fundamental, já que hepatites B e C podem ser transmitidas verticalmente durante a gestação ou parto, conforme aponta a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

Compartilhe essa matéria: