O Centro Universitário Cidade Verde (Unicive) inicia a segunda edição do Grupo de Acolhimento para Pessoas Enlutadas, iniciativa sem custos e aberta à comunidade maringaense que busca lidar com processos de perda e ressignificação emocional. O programa é coordenado pelo professor e psicólogo José Waldeci, profissional com mais de dez anos de pesquisa dedicada ao tema e especialização pela PUC-SP, além de autor de obras acadêmicas na área.
Diferentemente da primeira edição realizada no período vespertino, os encontros desta segunda turma funcionarão no horário noturno, ampliando o acesso para profissionais que trabalham durante o dia. A mudança surgiu como resposta aos retornos positivos da turma anterior, quando participantes indicaram dificuldades de presença nos horários anteriores. O projeto mantém sua estrutura baseada em pesquisas científicas e acolhimento humanizado, reconhecendo que o luto não constitui uma doença, mas uma etapa natural da experiência humana quando há vínculos afetivos rompidos.
Os encontros ocorrem em formato de grupo fechado, garantindo que os integrantes que iniciarem o ciclo sejam os mesmos até o término. Esta metodologia assegura sigilo absoluto, segurança emocional e fortalecimento progressivo das relações entre participantes. A turma funcionará com vagas limitadas entre doze e treze pessoas, permitindo atenção adequada a cada membro. Estudantes que auxiliam na condução das sessões recebem preparação específica e supervisão direta antes e após cada encontro.
O programa estrutura-se em cinco semanas de trabalho gradual. Na fase inicial, estabelecem-se o vínculo grupal e o contrato terapêutico baseado no sigilo. Posteriormente, participantes expressam livremente sentimentos relacionados à perda. Em seguida, introduz-se a psicoeducação com ferramentas práticas para autonomia emocional após o encerramento. A conclusão do ciclo marca o encerramento formal do grupo. A abordagem científica reconhece que intervenções grupais apresentam eficácia comprovada, pois ao compartilhar experiências, indivíduos percebem que embora cada história seja única, não enfrentam a jornada isoladamente.
O especialista ressalta que sinais de alerta para buscar intervenção profissional incluem quando a dor paralisa as atividades cotidianas básicas. Nem todos necessitam de terapia para atravessar períodos de luto, mas a orientação profissional torna-se essencial quando a pessoa não consegue retomar suas funções diárias. O primeiro retorno do projeto evidenciou que participantes encontraram espaço genuíno e isento de julgamentos para significar um momento para o qual raramente as pessoas se veem preparadas.