Autonomia econômica da mulher é chave contra violência, diz presidente da Câmara

Autonomia econômica da mulher é chave contra violência, diz presidente da Câmara

A presidente da Câmara Municipal de Maringá levará à tribuna da Casa, durante sessão desta terça-feira (18 de agosto de 2026), uma discussão sobre a importância da autonomia econômica, profissional e pessoal das mulheres. O tema ganhou relevância com a celebração do Dia Nacional da Mulher Empresária, instituído pela Lei Federal nº 14.545/2023, comemorado em 17 de agosto e dedicado a reconhecer mulheres que exercem atividades econômicas organizadas para produção ou circulação de bens e serviços.

Em Maringá, as mulheres representam 47,2% dos trabalhadores formais do município em 2025, conforme dados da RAIS. Contudo, essa representação significativa convive com disparidades salariais: a remuneração média feminina ficou em R$ 3.297,18, enquanto a masculina alcançou R$ 3.805,46. A diferença remuneratória evidencia que a inserção no mercado de trabalho ainda enfrenta obstáculos relacionados à equidade de gênero.

Nesta segunda-feira (17), foi formalizado um termo de cooperação entre a Unicive e a administração municipal visando ampliar e manter o atendimento psicológico destinado a mulheres vítimas de violência que recebem suporte do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM). Segundo dados do Plano Municipal de Políticas Públicas para Mulheres, 6.132 mulheres foram vítimas de violência em 2025 em Maringá, equivalente a aproximadamente 17 casos diários. No mesmo período, o município registrou um feminicídio.

A vereadora relaciona a promoção da autonomia econômica e profissional feminina com o enfrentamento à violência doméstica e de gênero. Segundo seu entendimento, mulheres com renda, profissão e condições de autossustento possuem maior liberdade de escolha e capacidade de romper com situações de violência. Essa perspectiva integra o Projeto de Lei Mulher Forte, Cidade Forte, de sua autoria, que estabelece diretrizes para qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo feminino e fortalecimento da participação das mulheres no mercado laboral.

Os dados nacionais reforçam a urgência da questão. Em 2025, o Ligue 180 registrou 155.111 denúncias de violência contra mulheres no Brasil, crescimento de 17,4% em relação a 2024. No primeiro trimestre de 2026, foram 45.735 denúncias, aumento de 23% comparado ao mesmo período de 2025. No primeiro semestre de 2026, o Brasil contabilizou 741 feminicídios conforme o Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher. O Paraná integrou o conjunto de estados que apresentaram acréscimo na comparação com o semestre anterior de 2025. A proposta legislativa local busca atuar em múltiplas frentes para garantir tanto acolhimento às mulheres em situação de violência quanto oportunidades de desenvolvimento profissional e empreendedorismo.

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