O Brasil realizou no sábado (22) a Campanha Multivacinação, uma mobilização em âmbito nacional que envolveu todos os municípios e estados. A ação teve como objetivo atualizar a caderneta de vacinação das crianças, abrangendo as 17 vacinas que integram o calendário infantil obrigatório. Pela primeira vez, a iniciativa incorporou a vacina pneumocócica 20-valente, conhecida como pneumo 20, ampliando a proteção contra pneumonias, meningites e outras enfermidades causadas pelo pneumococo em menores de 5 anos.
A campanha contou com grande adesão da população. Em unidades de saúde como a Unidade Básica de Saúde da 612 Sul, em Brasília, crianças de diferentes idades compareceram acompanhadas pelos responsáveis para completar suas vacinações. O estudante Noam Medeiros, de 10 anos, recebeu as duas doses faltantes em sua caderneta, enquanto a aposentada Lúcia Araújo, de 91 anos, também se dirigiu ao local para manter sua vacinação atualizada, demonstrando que a conscientização sobre a importância das vacinas transcende diferentes faixas etárias.
O Ministério da Saúde ressaltou que a campanha representa uma mobilização coordenada entre secretarias estaduais, municipais e a administração federal. A ação destaca-se por não focar em um único imunizante, mas na atualização completa do protocolo vacinal infantil. Essa estratégia reflete o compromisso com a saúde pública e a prevenção de doenças imunopreveníveis que afetam a população em desenvolvimento.
A iniciativa ocorreu em um contexto de preocupação internacional com surtos de sarampo. O Brasil conquistou novamente o status de país livre de sarampo em 2024, após enfrentar um grave surto em 2019 que chegou a registrar 20 mil casos apenas em São Paulo e ocasionou a perda do certificado de eliminação da doença. No entanto, a circulação do vírus em outras regiões, especialmente nos Estados Unidos, Canadá e México, representa risco potencial. No ano anterior, foram documentados 38 casos importados no território nacional, que não evoluíram para surto graças aos esforços do Sistema Único de Saúde.
O Ministério da Saúde alertou especialmente grupos vulneráveis, com ênfase em pessoas entre 6 meses e 59 anos e trabalhadores de setores de grande circulação turística, como restaurantes, hotéis, pousadas, rodoviárias, aeroportos, táxis e serviços de transporte por aplicativos. A preocupação reflete a necessidade de manter coberturas vacinais elevadas para impedir a reintrodução de doenças já controladas no país. A importância da vacinação também é destacada pela tendência de alguns países em reduzir programas de imunização infantil, favorecendo narrativas contra vacinação que já resultaram em ressurgimento de enfermidades preveníveis em várias nações.