Menopausa: mudanças corporais vão muito além da lentidão metabólica

Menopausa: mudanças corporais vão muito além da lentidão metabólica

A transição menopáusica representa muito mais do que uma simples desaceleração do metabolismo. Conforme apontam especialistas, a redução dos níveis de estradiol desencadeia transformações profundas em diversos sistemas do corpo feminino, alterando a composição corporal, distribuição de gordura, massa muscular, padrões de sono, regulação emocional e disposição geral.

De acordo com Fabiana Aparecida de Souza Vieira, mestre em Qualidade Ambiental e especialista em Estética Biomédica, presidente da Comissão de Estética do CRBM5, o fenômeno hormonal característico dessa fase favorece uma redistribuição da gordura corporal, com concentração aumentada na região visceral-abdominal. Paralelamente, ocorre perda de massa muscular que pode elevar significativamente os riscos de problemas metabólicos como resistência à insulina e dislipidemias. A especialista enfatiza que o processo envolve modificações estruturais na composição corporal e na regulação energética, não se limitando exclusivamente a uma simples diminuição da velocidade orgânica.

As repercussões dessa transformação biológica afetam diretamente a qualidade de vida cotidiana das mulheres. A diminuição do estrogênio e as alterações nos neurotransmissores contribuem para irritabilidade, flutuações de humor e insônia. Os sintomas vasomotores, particularmente os fogachos, comprometem a qualidade do sono noturno e, consequentemente, afetam a disposição durante o dia. Essas manifestações vão além do incômodo momentâneo, influenciando o bem-estar geral e a capacidade funcional.

Fabiana alerta para um problema crescente no mercado de saúde e estética: promessas infundadas de reverter o envelhecimento. Segundo a especialista, o envelhecimento configura um processo biológico natural que não pode ser completamente invertido por hormônios ou procedimentos estéticos. Quando expectativas irreais levam mulheres a utilizarem excessivamente suplementos, hormônios ou intervenções sem comprovação científica, aumenta-se consideravelmente os riscos à saúde. A abordagem adequada deve diferenciar claramente entre cuidado individualizado baseado em evidências e promessas comerciais infundadas.

A perspectiva recomendada é considerar a menopausa não como uma doença a ser eliminada, mas como uma fase que demanda novas estratégias de autocuidado. O treinamento de força emerge como medida essencial para preservar a massa muscular, fortalecer a saúde óssea e contribuir para a regulação metabólica adequada. Sono de qualidade, controle efetivo do estresse e acompanhamento profissional contínuo integram esse cuidado holístico. Quando necessária, a terapia de reposição hormonal pode auxiliar no controle dos sintomas vasomotores e na proteção óssea, mas sem o objetivo de reverter o envelhecimento. Uma abordagem multidisciplinar envolvendo profissionais de diferentes especialidades, com comunicação fluida entre eles, mostra-se fundamental para atender as necessidades específicas de cada mulher.

O tema será abordado durante o 3º Congresso de Saúde e Estética Avançada da Serra Gaúcha, programado para ocorrer nos dias 25 e 26 de setembro de 2026, no Teatro FSG, localizado em Caxias do Sul (RS). O evento reunirá profissionais e especialistas para debater questões relacionadas à saúde, estética, inovação e qualidade de vida. Para Fabiana, a compreensão adequada da menopausa posiciona-a não como encerramento da vitalidade feminina, mas como o início de uma nova etapa: conquistar a melhor versão da mulher que se é no presente, com a liberdade, consciência e poder que apenas a maturidade é capaz de proporcionar.

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