FAEP cobra Copel por demoras em restabelecimento de energia no campo do Paraná

FAEP cobra Copel por demoras em restabelecimento de energia no campo do Paraná

A entidade representativa dos produtores rurais do Paraná intensifica questionamentos junto à concessionária de energia sobre os prazos de restabelecimento do serviço elétrico em propriedades agrícolas. Após tempestades ocorridas nas últimas semanas, dezenas de localidades enfrentaram interrupções prolongadas, ocasionando prejuízos significativos aos agricultores. O Sistema FAEP vem documentando relatos de proprietários que convivem com falhas recorrentes na rede elétrica.

Os municípios de Xambré, Perobal e Rondon, localizados no Noroeste paranaense, registraram o impacto mais severo do temporal de 31 de agosto, afetando mais de 100 produtores. A interrupção resultou em perdas consideráveis, particularmente para aqueles que trabalham com pecuária leiteira, atividade que depende integralmente de sistemas de refrigeração. Outras regiões como Marechal Cândido Rondon, no Oeste, e Porto Amazonas, nos Campos Gerais, também enfrentaram situações críticas, com interrupções atingindo até 48 horas consecutivas.

A liderança da organização rural manifesta preocupação com vulnerabilidades do setor. Segundo a entidade, atividades como piscicultura, avicultura, suinocultura e produção leiteira carecem urgentemente de infraestrutura mais robusta. Esses segmentos dependem continuamente de energia para manter equipamentos essenciais, sistemas de climatização, abastecimento de água e oxigenação de ambientes produtivos. A falta de investimentos estruturais agrava crises durante intempéries sazonais.

Os impactos econômicos documentados pelo Sistema FAEP revelam perdas substanciais. Um piscicultor de Marechal Cândido Rondon mantém dois geradores na propriedade para garantir oxigenação dos tanques, com consumo aproximado de 25 litros de diesel por hora em cada equipamento. O custo diário para manutenção dessa infraestrutura alcança cerca de R$ 7,8 mil. Produtora de Rondon permaneceu sem energia de domingo até quinta-feira, impactando abastecimento de água do rebanho e causando perda de alimentos armazenados. Produtor leiteiro em Marechal Cândido Rondon ficou aproximadamente 27 horas desligado, com protocolo indicando normalização enquanto fase da rede permanecia indisponível. Proprietário em Porto Amazonas conviveu com 48 horas de fornecimento inadequado, recebendo voltagem em 220 volts sem a fase necessária para equipamentos de 110 volts, além de armazenar medicamentos veterinários e materiais de inseminação artificial que requerem refrigeração contínua.

Além das interrupções prolongadas, os produtores apontam dificuldades operacionais no atendimento. Protocolos registrados desaparecem dos sistemas de campo da concessionária, e manobras de rede que poderiam ser executadas rapidamente estendem-se por horas. Em um caso documentado, o acesso da equipe de atendimento aos chamados não ocorria regularmente, exigindo que o produtor encontrasse casual e acidentalmente uma equipe da Copel nas proximidades para resolver sua solicitação. A combinação de falhas infraestruturais e procedimentais resulta em ciclos de prejuízos que comprometem a viabilidade econômica de operações agrícolas em todo o estado.

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