Cirurgias menos invasivas transformam tratamento do câncer de mama

Cirurgias menos invasivas transformam tratamento do câncer de mama

A III Jornada de Mastologia do Rio Grande do Norte encerrou no sábado (5 de setembro de 2026) com destaque para os avanços tecnológicos que estão transformando o tratamento do câncer de mama em procedimentos menos agressivos. O evento, realizado em Natal, reuniu profissionais brasileiros e internacionais para debater estratégias que preservam a qualidade de vida das pacientes, desde o diagnóstico inicial até a fase de reconstrução mamária.

Entre os principais palestrantes estava Jean Marc Piat, cirurgião francês e diretor médico do Institut du Sein, em Strasbourg, que apresentou técnicas inovadoras de reconstrução mamária. Segundo o especialista, os procedimentos modernos conseguem reduzir significativamente o uso de próteses, a retirada de pele e, principalmente, a ressecção muscular – prática que envolvia a retirada de parte do músculo para a reconstrução. Uma das técnicas em destaque é o minidorsal lipoenxertado, que utiliza tecido adiposo da própria paciente, permitindo reconstrução em um único procedimento, mantendo a integridade muscular e sem deixar cicatrizes visíveis na região dorsal, além de proporcionar recuperação mais acelerada.

O mastologista e cirurgião brasileiro Darley de Lima Ferreira, referência nacional em cirurgia oncoplástica e reconstrução mamária, participou das discussões reforçando que não existe uma técnica única adequada para todas as mulheres. Conforme apresentado, praticamente todas as pacientes submetidas à mastectomia podem ser candidatas à reconstrução, mas a escolha do procedimento deve levar em conta as características individuais de cada mulher, os riscos específicos de cada intervenção e, fundamentalmente, a participação ativa da paciente no processo decisório.

A jornada também abordou temas relacionados à preservação da fertilidade das mulheres mais jovens diagnosticadas com câncer de mama. A especialista em reprodução humana Adriana Leão conduziu discussões destacando a importância de avaliar o futuro reprodutivo das pacientes antes do início de tratamentos oncológicos que possam comprometer a capacidade reprodutiva. O debate reforçou a necessidade de integração entre mastologia, oncologia e reprodução assistida para garantir às mulheres mais jovens oportunidades de maternidade biológica.

Durante os dois dias do evento, além dos tópicos mencionados, foram abordados rastreamento e diagnóstico precoce, novas tecnologias de imagem, redução de intervenções cirúrgicas desnecessárias na mama e axila em casos selecionados, testes genômicos, terapias inovadoras, questões relacionadas à menopausa, reposição hormonal, obesidade e uso de medicamentos agonistas do GLP-1. Roberta Jales, presidente da Jornada e da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional RN, enfatizou que o encontro demonstrou o desafio contínuo de acompanhar a rápida evolução da medicina. Segundo ela, o objetivo é transformar esse conhecimento em diagnósticos mais precisos, tratamentos personalizados e, acima de tudo, em maior qualidade de vida para as mulheres acometidas pela doença.

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