O Tribunal do Júri da comarca de Maringá realiza na próxima quarta-feira, 16 de setembro, o julgamento de dois denunciados pelo Ministério Público do Paraná. Os réus são acusados pela morte de uma menina de 11 anos ocorrida em abril de 2019 no município de Rolândia, localizado na região Norte Central do estado. A sessão de julgamento foi transferida para a capital regional através de decisão de desaforamento do processo.
O pai e a avó paterna da vítima enfrentam acusações por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. A transferência do julgamento para Maringá seguiu procedimento legal que permite deslocar o processo quando há indícios de comprometimento da imparcialidade no fórum original, riscos à segurança dos envolvidos ou situações que afetam a ordem pública. O caso está registrado sob o número 0003684-89.2019.8.16.0148.
Conforme as investigações, o pai praticou asfixia mecânica contra a filha em 24 de abril de 2019, ocultando posteriormente o corpo da criança em uma garagem pertencente à residência familiar. Após cometer o crime, pai e avó coordenaram ações para ocultar a prática delitiva e dificultar o trabalho investigativo. Os dois compareceram a uma delegacia para comunicar o desaparecimento da criança, ofereceram informações contraditórias aos investigadores e desativaram além de formatar os equipamentos de vigilância instalados no local que poderiam contribuir para esclarecer os acontecimentos.
Na acusação formal, o Ministério Público aponta que a avó, que possuía guarda judicial da menina, permitiu que a criança permanecesse sob os cuidados do acusado, expondo-a deliberadamente a risco. Conforme apurado durante o inquérito, o pai manifestava sentimento de rejeição pela filha desde antes de seu nascimento e não participava de seus cuidados fundamentais. A denúncia qualifica o homicídio pela utilização de método cruel e pela condição que impediu a defesa da vítima, incluindo circunstâncias caracterizadoras de feminicídio.
A acusação será conduzida pela Promotoria de Justiça de Maringá em conjunto com representantes do Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (Gajuri) do Ministério Público do Paraná. O julgamento representa importante procedimento na busca por justiça no caso que marcou a região há mais de sete anos.