A Polícia Civil do Paraná (PCPR) cumpriu nesta sexta-feira (18 de setembro de 2026) uma operação de grande envergadura para desarticular uma organização criminosa baseada em estrutura familiar. A ação visava desmantelar atividades de tráfico interestadual de entorpecentes, comercialização e transporte de armas de fogo de uso restrito e proibido, além de práticas de falsidade ideológica e lavagem de capitais.
A operação envolveu o cumprimento de 14 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão distribuídos em várias cidades. Os locais alvo incluem Maringá, Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu no Paraná, além de endereços localizados nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de 21 contas bancárias e aplicações financeiras, limitando o bloqueio a R$ 10 milhões, e decretou medidas sobre 19 veículos pertencentes aos investigados.
As investigações iniciaram em fevereiro de 2026, tendo como ponto de partida informações obtidas da prisão de um traficante em dezembro de 2025, responsável pelo transporte de grandes carregamentos de drogas e armas entre Curitiba e comunidades dominadas por facções no Rio de Janeiro. Conforme relatou o delegado Victor Loureiro Mattar Assad, após a captura desse traficante, outro integrante da organização assumiu imediatamente a logística de distribuição das cargas ilícitas no eixo Maringá–Curitiba–Rio de Janeiro, contando com a participação de sua companheira e quatro filhos, cada um desempenhando funções específicas na hierarquia criminosa.
Durante as investigações, em 18 de junho de 2026, no município de Campo Largo, policiais apreenderam aproximadamente 459 quilos de cocaína e crack, um fuzil calibre 5,56mm, nove pistolas calibre 9mm e 15 peças desmontadas de fuzil calibre 7,62mm. Dois membros do núcleo familiar foram flagrados realizando o transbordo dos materiais entre um caminhão de transporte e um veículo utilitário. Onze dias depois, em Ourinhos, no estado de São Paulo, a Polícia Militar apreendeu outro carregamento ligado ao mesmo grupo, contendo 18 fuzis, carregadores e quantidade expressiva de entorpecentes, evidenciando a capacidade de recomposição rápida da organização.
O líder do grupo criminoso familiar criou uma identidade civil fictícia para constituir uma transportadora de fachada, abrir contas bancárias, registrar veículos de alto valor e realizar negócios milionários. Um de seus filhos reproduziu o mesmo esquema, criando identidade paralela e duas pessoas jurídicas, com uma delas estabelecida na Avenida Brigadeiro Faria Lima em São Paulo. As operações ilícitas funcionavam dissimulando entorpecentes e armas em cargas legítimas transportadas pelos caminhões da empresa, com uso de “batedores” que monitoravam a localização de postos da Polícia Rodoviária Federal e viaturas policiais em tempo real.
Na esfera da lavagem de capitais, o grupo utilizava empresas de fachada, terceiros interpostos e simulações sucessivas de compra e venda de veículos, títulos patrimoniais e aeronaves. A análise financeira revelou movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados, totalizando aproximadamente R$ 28,8 milhões em créditos. A transportadora usada como núcleo logístico recebeu R$ 2,5 milhões no ano de 2025, enquanto a segunda empresa familiar movimentou R$ 4,2 milhões em créditos entre 2025 e 2026, apesar de declarar ao contador faturamento de pouco mais de R$ 34 mil. Um dos filhos recebeu individualmente R$ 1.145.530,90 no mesmo período, com saques em espécie superiores a R$ 393 mil.