Um dos principais nomes do empresariado maringaense, Ariovaldo Costa Paulo, foi homenageado com a Comenda Américo Marques Dias, máxima distinção entregue pela Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) a lideranças comunitárias de destaque. A honraria marca um ciclo simbólico na história do executivo: a mesma comenda foi criada quando ele presidiu a entidade.
A carreira de Costa Paulo começou muito antes do reconhecimento institucional. Inspirado pela perseverança do pai, um agricultor que enfrentou múltiplos fracassos comerciais sem desistir, o empresário relembra com precisão a madrugada gelada de julho de 1975. Acompanhando o genitor em uma viagem de vendas de produtos frios pelo interior do Paraná, os dois pernoitaram em uma Kombi, onde Ariovaldo acordou com o orvalho congelado escorrendo sobre sua testa — era a histórica geada de 75 que marcaria a região para sempre.
Decidido a empreender por conta própria e estruturar sua vida antes do casamento com Lucinei (cuja junção de nomes originou a marca Arilu), Ariovaldo convenceu o pai a avalizar um financiamento bancário de uma Kombi. Os dois iniciaram uma sociedade com divisão de resultados, começando pelo fornecimento de queijo e presunto para pizzarias e lanchonetes. O crescimento da demanda por condimentos e atomatados abriu a porta para o grande salto: após abordar um representante comercial em uma sala de espera de supermercado, Costa Paulo conquistou o cadastro para distribuir produtos da Cica (Companhia Industrial de Conservas Alimentícias), principal referência nacional do segmento na época.
Apesar da operação funcionar inicialmente nos fundos da residência familiar, o negócio decolou durante a hiperinflação brasileira dos anos 1980, quando os índices anuais ultrapassavam 3 mil por cento. Naquele cenário desafiador, Ariovaldo desenvolveu uma estratégia inovadora: quando a mercadoria chegava da indústria, o preço já havia aumentado entre 30% e 40%. Vendendo rapidamente antes do vencimento do boleto e recolocando novos pedidos com margem superior, o empresário conseguiu operar com preços competitivos que rivalizavam com os da própria fábrica.
Quarenta anos após a fundação, a Arilu consolidou-se em um grupo empresarial avaliado em R$ 4,2 bilhões, com operações estruturadas na região Sul. O processo de sucessão familiar foi conduzido sem privilégios hereditários: os filhos ingressaram no negócio cumprindo as mesmas exigências dos demais colaboradores, começando desde cargos operacionais como carregador de caixa no depósito, passando por vendedor de rua, motorista de caminhão e promotor de vendas. A atuação de Costa Paulo no associativismo maringaense também merece destaque: ao ingressar na diretoria da Acim, ele enfrentou resistências iniciais, mas transformou a entidade criando o Conselho do Comércio e ampliando a base de associados de apenas 800 empresas para patamares significativamente superiores através de mobilização direta junto aos comerciantes.