A produção audiovisual norte-rio-grandense ‘Mariposa’ conquistou destaque na 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, realizado em Brasília. O curta-metragem, criado pelos diretores Alexandre Américo e Pedro Vitor, integrou a Mostra Competitiva Nacional e recebeu reconhecimento significativo da instituição, anunciado no sábado, dia 19 de setembro de 2026, no Cine Brasília.
O filme arrecadou duas distinções importantes durante o evento. Conquistou o Prêmio Zózimo Bulbul, honraria concedida para melhor curta-metragem, além de receber menção honrosa do júri oficial da Mostra Competitiva Nacional de Curtas. O Prêmio Zózimo Bulbul é uma honraria especial indicada pelo Centro Afrocarioca de Cinema e pela Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN), reconhecendo trabalhos que valorizam a presença, narrativas e perspectivas de cineastas negros no cinema brasileiro.
Segundo avaliação da comissão julgadora, ‘Mariposa’ foi selecionado por apresentar inventividade dentro do território ancestral, desenvolvendo símbolos e significados próprios que se afastam de estereótipos convencionais. Os jurados ressaltaram a capacidade da obra de encontrar soluções poéticas ao transformar o lugar de origem em força motriz para novas criações. A menção honrosa complementar destacou a articulação técnica entre fotografia, montagem e som no desafio de captar a vivência e resistência de um espaço geográfico específico.
O curta, com duração de 14 minutos em preto e branco, foi gravado nas dunas da praia de Santa Rita, localizada em Extremoz, no Rio Grande do Norte. A narrativa integra memória, rito, natureza e território através dos personagens Dona Zefa, vivida por Mãe Bianca de Omolú, e Oliveira, interpretado por Alexandre Américo. Ambos são apresentados como entidades encantadas conectadas ao espaço de Santa Rita. O projeto nasceu do encontro criativo entre os dois diretores e da aproximação com práticas das encantarias, Jurema Sagrada e religiosidades de terreiro do Candomblé.
A produção contou com financiamento da Lei Paulo Gustavo e distribuição pela Ebó Filmes, conduzida por Rosy Nascimento. Na edição 59 do festival, participaram 12 curtas-metragens na disputa da Mostra Competitiva Nacional, selecionados de aproximadamente 2 mil inscrições recebidas. ‘Mariposa’ marcou sua estreia mundial durante o evento brasiliense, representando a produção artística de cineastas negros e pessoas com deficiência do Norte do Paraná e região adjacente.