A capital norte-paranaense recebe neste sábado (26 de setembro) a abertura da exposição “Raízes”, uma mostra que reúne trabalhos artísticos e materiais arqueológicos do artista autodidata Mario Kimura. O evento será inaugurado às 15h no Museu de História e Arte Hélenton Borba Côrtes, localizado no Teatro Calil Haddad, em Maringá.
A exposição apresenta um acervo construído ao longo de décadas, com esculturas produzidas desde os anos 1970 e peças históricas descobertas durante atividades rurais. As obras contam a trajetória de ocupação da região norte do Paraná, passando pelas transformações agrícolas e pela relação profunda do artista com a terra que trabalha há muitos anos.
Mario Kimura, nascido em 1936 no município paulista de Guarantã, chegou ao Paraná na infância. Sua família viveu em Arapongas antes de se instalar na região de Maringá, onde adquiriu propriedade rural que posteriormente transformou-se no espaço denominado Memorial Kimura. Foi nesse ambiente que sua produção artística desabrochava a partir da década de 1970, inspirado pelo trabalho de um tio carpinteiro. O artista passou a aproveitar raízes e fragmentos de madeira localizados no trabalho agrícola para criar esculturas únicas, mantendo as características naturais dos materiais.
Durante o preparo do solo para cultivo, Kimura encontrou diversos vestígios arqueológicos que testemunham períodos distintos de ocupação humana. Entre as descobertas constam objetos relacionados a grupos de caçadores-coletores estimados entre 6 mil e 8 mil anos, além de peças vinculadas à tradição Kaingang com aproximadamente 3 mil anos. Esses achados revelam que a região havia sido habitada muito antes do surgimento das cidades contemporâneas. A transformação da paisagem integra essa narrativa: o ciclo cafeeiro intenso da região sofreu impacto significativo com a grande geada de 1975, levando à substituição do café por culturas como algodão, soja, trigo e milho. Muitas árvores e raízes removidas do solo nesse período de transição ganharam novo significado como esculturas nas mãos de Kimura.
O Memorial Kimura em Floriano, distrito de Maringá, preserva um acervo amplo que documenta a história familiar e a trajetória do artista, incluindo móveis, ferramentas, utensílios domésticos, vestimentas, fotografias, moedas, publicações, criações artísticas e materiais arqueológicos. O espaço registra a jornada da família desde sua origem no Japão, passando pelas fazendas cafeeiras de São Paulo até a instalação no Norte do Paraná. A mostra permite ao público acompanhar esse percurso integrado, dialogando as criações escultóricas com os vestígios históricos encontrados ao longo da vida no campo. O período de visitação estende-se de 26 de setembro a 26 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, com entrada gratuita e classificação livre para todos os públicos.