Uma transformação significativa marca a realidade do envelhecimento no Brasil contemporâneo. Pessoas com 70, 75 ou 80 anos rompem a visão tradicional que associa a idade avançada apenas à inatividade, praticando musculação, caminhadas, ciclismo e esportes diversos. A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia da Regional Paraná (SBOT-PR) destaca essa mudança em seus consultórios, onde recebe pacientes idosos que buscam tratamento justamente para manter a qualidade de vida que conquistaram ao longo dos anos.
Os números refletem essa transformação demográfica. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira com 60 anos ou mais alcançou 34,1 milhões de pessoas em 2024, comparado aos 22 milhões registrados em 2012. No mesmo período, a expectativa de vida dos brasileiros atingiu 76,6 anos, indicando que os cidadãos não apenas vivem mais, mas chegam às idades avançadas com disposição para manter-se ativos e independentes.
O presidente da SBOT-PR, Dr. Thiago S. Busato, observa que os consultórios revelam rotinas extremamente ativas entre pacientes idosos. Muitos investem continuamente em sua saúde, negando-se a abrir mão de atividades que consideram fundamentais. Essa mudança exige nova abordagem médica: em vez de focar apenas na idade cronológica, é necessário avaliar a capacidade funcional de cada indivíduo, seus objetivos pessoais e sua condição física específica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece esse novo conceito de envelhecimento saudável, enfatizando que o foco deve estar na capacidade funcional e na possibilidade de a pessoa continuar realizando atividades consideradas importantes para sua vida. A organização acknowledges que pessoas da mesma idade podem apresentar níveis completamente diferentes de capacidade física e mental, refutando a ideia de um padrão único para a velhice.
O Ministério da Saúde reforça que a atividade física regular contribui para preservar autonomia, melhorar equilíbrio e postura, proteger ossos e articulações, além de reduzir riscos de quedas. Busato enfatiza que manter força, mobilidade e equilíbrio representa investimento para os anos vindouros, permitindo que o envelhecimento seja acompanhado de qualidade de vida e independência. Contudo, essa realidade animadora não elimina a necessidade de atenção à fragilidade óssea e quedas que afetam parcela importante da população idosa brasileira.