O Sistema Único de Saúde incorporou em dezembro de 2025 uma estratégia inovadora de proteção à saúde infantil: a imunização de gestantes contra o vírus sincicial respiratório (VSR). O imunizante é ofertado gratuitamente a partir da 28ª semana de gravidez para todas as mulheres, independentemente da idade. Conforme orientação do Ministério da Saúde, recomenda-se uma dose por gestação, iniciando o processo de proteção ainda antes do nascimento do bebê.
O mecanismo de ação da vacina funciona estimulando o corpo materno a produzir anticorpos específicos contra o VSR. Durante a gravidez, essas substâncias protetoras atravessam a placenta e chegam ao feto, conferindo uma proteção temporária nos primeiros meses de vida do recém-nascido. Esse período inicial é crítico, pois infecções pelo VSR podem gerar complicações significativas em bebês pequenos, especialmente no que diz respeito a problemas respiratórios graves.
O vírus sincicial respiratório figura como um dos principais responsáveis por inflamações das pequenas vias aéreas pulmonares em crianças, conhecida como bronquiolite. A condição pode evoluir com dificuldade para respirar e demandar internação hospitalar em casos mais severos. Embora a prematuridade e outras condições clínicas aumentem o risco de evolução desfavorável, bebês nascidos no tempo adequado também podem desenvolver formas graves da doença, tornando a prevenção uma medida recomendada para toda população infantil.
Pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos-Ipec entrevistou 530 gestantes entre 18 e 45 anos e revelou avanços significativos no conhecimento sobre o tema. O percentual de mulheres que conhecem ou já ouviram falar do VSR passou de 58% em 2024 para 70% em 2026. Quanto à bronquiolite, 60% das entrevistadas a citaram como principal preocupação relacionada a infecções em 2026, comparado a 40% dois anos antes. Porém, dados preocupantes emergiram: 79% das participantes apresentaram ao menos uma dúvida ou compreensão equivocada sobre o assunto, e apenas 13% responderam corretamente todas as questões avaliadas.
O acompanhamento pré-natal emerge como momento estratégico para orientação. Conforme o levantamento, 88% das gestantes relataram ter recebido recomendação médica para vacinação durante a gravidez em 2026, aumento frente aos 77% de 2024. Entre as mulheres que receberam orientação, 96% afirmaram seguir ou pretender seguir as indicações. O Ministério da Saúde recomenda que gestantes procurem a unidade de saúde onde realizam pré-natal para verificar situação vacinal e obter informações completas. É necessário apresentar documentação comprovando gravidez e idade gestacional para receber a dose a partir da 28ª semana.
A vacinação materna representa estratégia importante para proteção da primeira infância, reduzindo significativamente o risco de infecção grave pelo VSR nos primeiros meses de vida, embora não elimine completamente a possibilidade de contágio. Complementarmente, medidas de higiene, vigilância dos sintomas respiratórios e orientação profissional continuam fundamentais. Gestantes e familiares são estimulados a dialogar com equipes de saúde e esclarecer dúvidas durante o pré-natal, transformando a informação em aliada da prevenção.