Maria Izabel Corrêa Guiraud, origamista profissional com transtorno do espectro autista, assumiu uma missão ambiciosa: confeccionar mais de 4 mil tsurus (tradicionais pássaros de papel da cultura japonesa) para integrar uma instalação artística do Hospital Angelina Caron (HAC). A iniciativa faz parte da terceira edição da exposição Histórias de Transplantes, que será apresentada entre 21 de setembro e 21 de outubro no Aeroporto Internacional Afonso Pena, localizado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
A instalação completa contará com aproximadamente 5 mil tsurus, sendo que as peças faltantes serão produzidas durante oficinas abertas à comunidade. O evento contará com a participação de colaboradores, pacientes e acompanhantes do HAC, todos contribuindo para a composição artística. Essas dobraduras representarão simbolicamente mais de 5 mil pessoas que aguardam na fila por um órgão ou tecido no estado do Paraná. A ação integra o Setembro Verde, período dedicado à conscientização sobre doação de órgãos, e marca também os 25 anos de atuação do hospital na especialidade de transplantes.
O percurso profissional de Maria Izabel com o origami começou ainda na infância, através de atividades compartilhadas com seu avô e pai. A prática evoluiu e se consolidou como ferramenta terapêutica quando ela descobriu como os exercícios de concentração relacionados à confecção das dobraduras ajudavam no controle da epilepsia. O que iniciou como brincadeira transformou-se gradualmente em profissão, consolidando suas habilidades em transformar uma simples folha de papel em formas elaboradas. Para a artista, o fascínio reside não apenas no resultado final, mas no processo de transformação que ocorre a cada dobradura precisamente executada.
A execução de milhares de peças simultâneas exigiu que Maria Izabel desenvolvesse uma rotina estruturada, focada em planejamento, cumprimento de prazos e manutenção da precisão técnica. Segundo a origamista, características típicas do autismo, como concentração aguçada, atenção detalhista e persistência, funcionam como facilitadores para seu trabalho artístico. Ela destaca que o transtorno não representa uma barreira, mas sim um componente positivo de sua trajetória profissional, transformando desafios em motivação e dedicação para alcançar resultados cada vez mais refinados.
Ao convidar Maria Izabel e a comunidade para participar da construção dessa instalação, o Hospital Angelina Caron reafirma dois compromissos fundamentais: valorizar as diferentes capacidades de expressão e participação social, especialmente de pessoas com características neurodivergentes, e ampliar a conscientização sobre a importância da doação de órgãos no estado. A exposição será apresentada em um local de fluxo intenso de visitantes, expandindo a mensagem de esperança para além dos espaços hospitalares e atingindo público diversificado no aeroporto paranaense.