Assembleia debate impactos da tecnologia na saúde mental de adolescentes

Assembleia debate impactos da tecnologia na saúde mental de adolescentes

A Assembleia Legislativa do Paraná dedicou programação especial para discutir questões críticas relacionadas ao bem-estar psicológico de adolescentes. O debate, transmitido pela TV Assembleia em edição do programa Assembleia Entrevista realizada na quinta-feira (6) de agosto de 2026 às 13 horas, abordou os desafios emocionais enfrentados por jovens na atualidade e a influência do uso excessivo de dispositivos eletrônicos nessa população.

A psicóloga Fabiana Canda foi convidada para compartilhar análises especializadas sobre o tema. Durante sua participação, apresentou dados alarmantes: três em cada dez adolescentes enfrentam tristeza persistente e isolamento social. A profissional identificou que ansiedade e sentimentos de não pertencimento representam as principais demandas que chegam aos consultórios de psicologia atualmente. Segundo sua avaliação, a combinação de excesso informacional, comparações constantes em plataformas digitais, conflitos no ambiente familiar e uso indiscriminado de telas configura um cenário altamente propício ao sofrimento emocional entre os jovens.

A discussão incluiu análise sobre como fatores digitais impactam o desenvolvimento adolescente. Fabiana destacou que pesquisas norte-americanas revelam dados preocupantes: adolescentes que permanecem mais de seis horas diárias nas redes sociais apresentam quatro vezes mais chances de desenvolver ideação suicida ou comportamentos de automutilação. Ela ressaltou que, diferentemente das promessas iniciais de que aparelhos eletrônicos estimulariam desenvolvimento cognitivo, o cenário contemporâneo mostra bebês e crianças pequenas com acesso irrestrito a celulares e tablets, indicando perda de controle até entre adultos responsáveis.

O papel da família na prevenção de sofrimento emocional foi centralizado na discussão. Fabiana enfatizou que adolescência constitui fase repleta de descobertas e construção identitária, exigindo presença constante dos genitores. Apontou que a ausência familiar, agravada por pais sobrecarregados ou emocionalmente distantes, representa um dos principais gatilhos para isolamento emocional. Sugeriu que pais necessitam primeiro compreender o universo dos filhos para posteriormente reintegrá-los em seu próprio mundo, estabelecendo vínculos genuínos baseados em acolhimento em vez de julgamento.

Como estratégia de mitigação dos riscos associados à tecnologia, a especialista propôs abordagem equilibrada. Recomendou estabelecimento de regras claras, firmação de acordos familiares sobre uso de aparelhos e comunicação transparente explicando que supervisão parental representa proteção, não invasão de privacidade. Fabiana comparou o desafio do uso de telas ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados ou doces, argumentando que o problema reside na quantidade e frequência, não na existência da tecnologia em si.

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