Bibliotecas brasileiras ganham programa de enfrentamento à violência de gênero

Bibliotecas brasileiras ganham programa de enfrentamento à violência de gênero

Um programa inovador de mediação cultural está transformando bibliotecas em espaços de conscientização e combate à violência de gênero. A iniciativa, criada pela pesquisadora Luciane Cavalcante, reconhece as bibliotecas não apenas como centros de informação, mas como ambientes capazes de estimular pensamento crítico e desenvolvimento social nas comunidades.

A pesquisadora, com formação em biblioteconomia e experiência como docente nos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Estadual de Londrina, desenvolveu o projeto após ser questionada sobre o papel das bibliotecas comunitárias no enfrentamento à violência de gênero. Esse questionamento inicial evoluiu para uma pesquisa aprofundada envolvendo estudos de gênero, perspectivas feministas e análises latino-americanas sobre o tema.

O projeto Medeia.Info, vinculado ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (BICT), conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). As ações incluem palestras, cursos, debates e oficinas destinadas a profissionais que trabalham em bibliotecas e espaços culturais, capacitando-os a identificar manifestações de violência de gênero e implementar ações de conscientização através da cultura.

Entre os desafios enfrentados está a crescente disseminação de conteúdo misógino entre adolescentes do sexo masculino através da internet. Conforme a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, 83% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos que acessam a internet possuem ao menos um perfil em redes sociais, tornando-se alvos vulneráveis a ideologias que pregam hierarquias de gênero. Para contrapor essa realidade, o projeto desenvolve atividades lúdicas e mediações em bibliotecas escolares que estimulem participação e conscientização social, como a criação de jogos digitais de enfrentamento à violência.

A expansão do programa é prioridade institucional. Atualmente baseado na Biblioteca Parque Estadual, no centro do Rio de Janeiro, o projeto trabalha com redes sociais para democratizar pesquisas acadêmicas, traduzindo artigos complexos em linguagem acessível com apoio de profissionais do serviço social, psicologia e direito. A ambição é alcançar bibliotecas escolares, universitárias e comunitárias em diferentes regiões, reconhecendo que cada comunidade possui necessidades e potencialidades únicas para essa construção social conjunta.

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