Brasil perde uma pessoa a cada 72 segundos por doença cardiovascular

Brasil perde uma pessoa a cada 72 segundos por doença cardiovascular

O Brasil enfrenta uma crise de mortalidade por problemas cardiovasculares. Conforme dados do Cardiômetro, ferramenta da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) integrada ao novo Hub de Doenças Cardiovasculares, até 16 de outubro de 2026 haviam sido registrados 318.945 óbitos pela doença no país. Isso representa uma morte a cada 72 segundos ou aproximadamente 1.194 falecimentos diários.

A plataforma, lançada pela SBC em parceria com a World Heart Federation (WHF), utiliza informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e estimativas do Global Burden of Disease (GBD) 2023. Os cálculos contam ainda com dados populacionais do DataSUS e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Hub possibilita consultar séries históricas de mortalidade entre 2000 e 2024, além de apresentar projeções futuras baseadas em tendências epidemiológicas.

As projeções indicam cenário preocupante para os próximos anos. Se mantida a trajetória observada nas últimas duas décadas, o Brasil terá aumento de 10,8% nas mortes cardiovasculares até 2030, passando de 417.550 óbitos em 2024 para 462.573 em 2030. O coordenador da plataforma, cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, ressalva que essas projeções representam cenários prováveis caso as tendências se mantenham, podendo ser alteradas com mudanças na prevalência de fatores de risco e ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento.

Apesar das previsões alarmantes, há motivos para otimismo. A taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares caiu 36% entre 2000 e 2024, passando de 306,4 para 195 óbitos por 100 mil habitantes. Essa redução demonstra que intervenções adequadas funcionam. Especialistas destacam a importância do controle da hipertensão e diabetes, redução do tabagismo, combate à obesidade e sedentarismo, além do atendimento rápido em casos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

O Hub também revela disparidades regionais significativas. Alagoas apresenta a maior taxa de mortalidade cardiovascular com 245,5 óbitos por 100 mil habitantes, seguida por Amapá (225,1) e Mato Grosso do Sul (220,4). A plataforma, apresentada durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia no Rio de Janeiro, oferece consultas por estado, sexo e faixa etária, facilitando acesso de pesquisadores, jornalistas, profissionais de saúde e gestores públicos às informações epidemiológicas sobre doenças cardiovasculares no país.

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