Brasileiros reconhecem sintomas de câncer colorretal mas retardam procura por médico

Brasileiros reconhecem sintomas de câncer colorretal mas retardam procura por médico

Um levantamento realizado pelo A.C.Camargo Câncer Center em colaboração com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgado nesta segunda-feira (20 de julho de 2026), revelou uma preocupante desconexão entre o conhecimento e a ação da população brasileira diante de sinais de alerta para o câncer colorretal. A pesquisa entrevistou aproximadamente 2 mil pessoas em todo o País e identificou um padrão comportamental contraditório nos cuidados com a saúde intestinal.

Conforme os dados coletados, quase metade das pessoas que já perceberam sangue nas fezes, um dos principais indicadores de risco para o câncer colorretal, não procurou atendimento médico de forma imediata. Entre os entrevistados que notaram esse sintoma, apenas 59% buscaram orientação profissional logo após o episódio. Os demais apresentaram comportamentos variados: 19% preferiram aguardar o desaparecimento espontâneo do sintoma, 10% demoraram dias ou semanas para marcar consulta, 7% tentaram resolver com remédios caseiros ou ajustes alimentares, 3% utilizaram medicamentos sem prescrição e 1% pesquisou informações na internet antes de procurar um médico.

Apesar dessa demora em buscar assistência, o levantamento constatou que oito em cada dez brasileiros reconhecem a gravidade dos sinais de alerta para a doença. No entanto, apenas 42% classificam a presença de sangue nas fezes ou alterações persistentes no funcionamento intestinal como “muito graves”, demonstrando uma percepção moderada do risco. A pesquisa também indicou que 67% dos brasileiros estabelecem uma conexão entre esses sintomas e o câncer colorretal, mas apenas 24% concordam fortemente com essa relação, enquanto 43% mantêm uma compreensão intermediária do risco envolvido.

A doença desenvolve-se no intestino grosso ou no reto e, na maioria dos casos, origina-se em pólipos pequenas lesões que crescem gradualmente ao longo do tempo. Quando diagnosticado nos estágios iniciais, o tumor apresenta altas probabilidades de cura. Os sinais mais frequentes incluem sangue nas fezes, alterações persistentes no hábito intestinal, dor abdominal, sensação de evacuação incompleta, redução de peso sem justificativa aparente, anemia e cansaço desproporcional. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 53.810 novos casos anuais no triênio 2026-2028, consolidando o câncer colorretal como o segundo tumor mais frequente no País.

A colonoscopia é o principal procedimento para diagnóstico e rastreamento, permitindo visualização interna do intestino, identificação de lesões precoces, remoção de pólipos e coleta de amostras quando necessário. As orientações técnicas recomendam o rastreamento a partir dos 45 anos, ou dez anos antes da idade de diagnóstico em parentes próximos com histórico da doença. Outro instrumento relevante é a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), exame que detecta quantidades microscópicas de sangue invisíveis ao olho nu. Porém, dois em cada três brasileiros (67%) desconhecem esse teste e apenas 11% já o realizaram, apontando para uma lacuna significativa na conscientização sobre ferramentas de diagnóstico precoce disponíveis.

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