Fatec Ivaiporã conhece educação indígena em visita a colégio de Manoel Ribas

Fatec Ivaiporã conhece educação indígena em visita a colégio de Manoel Ribas

Trinta acadêmicos do 5º e 6º período do curso de Pedagogia da Fatec Ivaiporã estiveram no Colégio Estadual Indígena Cacique Gregório Kaekchot, localizado em Manoel Ribas, na quinta-feira, 6 de agosto. A comitiva foi recebida com apresentações culturais tradicionais, incluindo danças de boas-vindas e grafismos indígenas que marcaram o encontro entre os futuros educadores e a instituição de ensino.

A coordenadora de Pedagogia, Fabiane Eisele Zilio, liderou o grupo juntamente com os gestores da unidade escolar indígena: a diretora Cristiane Laureth Renczenzen, o vice-diretor Márcio Van Vãg Kublite e o professor Adiel Pereira Santiago. Durante a visita, os participantes tiveram a oportunidade de aprender sobre o alfabeto Kaingang, compreender o sistema de ensino bilíngue e conhecer as estruturas pedagógicas da educação infantil, fundamental e médio dentro da modalidade indígena.

O Colégio Estadual Indígena Cacique Gregório Kaekchot atende aproximadamente 700 alunos e emprega cerca de 120 moradores da comunidade. A instituição funciona seguindo o currículo estadual, mas incorpora saberes ancestrais considerados fundamentais para a formação integral dos estudantes. O ensino bilíngue trabalha a língua Kaingang como língua materna no processo educativo, enquanto o português é desenvolvido como segunda língua, refletindo as diferenças alfabéticas e metodológicas entre as duas línguas.

A diretora Cristiane Renczenzen explicou que a escola busca integrar conhecimentos das pessoas idosas da aldeia, além de conteúdos relacionados às plantas, animais e elementos naturais locais. Lendas, mitos, danças, cantos e práticas religiosas são transformados em experiências de aprendizagem significativa. Esse diálogo entre currículo e identidade cultural despertou particular atenção da acadêmica Andreia Zanetin da Costa, que observou como o ensino contextualizado facilita a compreensão dos estudantes quando parte de referências visuais e territoriais que eles reconhecem.

A visita foi organizada durante a disciplina Modalidades de Ensino no Brasil, cursada em 2025 pelas duas turmas de Pedagogia. Fabiane Zilio ressaltou que os acadêmicos compreenderam como o pertencimento à cultura não funciona como conteúdo isolado, mas como orientador do processo educativo integral. O roteiro incluiu conhecer o Etno Parque Ré Sĩ Kaingang, onde foram apresentados cinco tipos tradicionais de moradia Kaingang, incluindo construções em taquara e sapé. Para o vice-diretor Márcio Kublite, a experiência permitiu que futuros professores vivenciassem a educação indígena e pudessem transmitir esse aprendizado aos seus alunos.

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