A administração federal divulgou na terça-feira (13) um conjunto de cinco iniciativas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs), com prioridade no alívio do endividamento e na expansão das oportunidades de crédito. O núcleo da estratégia é o envio de um projeto de lei complementar ao Congresso Nacional que prevê o cancelamento das obrigações acumuladas pelos MEIs junto ao governo federal, com potencial de beneficiar aproximadamente 3,6 milhões de profissionais e eliminar cerca de R$ 12,6 bilhões em débitos acumulados.
De acordo com a administração, a manutenção dessas pendências impede o acesso a linhas de crédito e compromete a evolução dos empreendimentos. A estrutura anunciada busca possibilitar que os profissionais retomem suas operações em condições mais favoráveis, com a eliminação de cobranças e processos judiciais ligados a esses débitos, além da retirada de restrições decorrentes da falta de pagamento. Essa medida permitirá a regularização dos empreendedores perante órgãos públicos e abrirá caminho para novas contratações junto ao sistema financeiro.
Complementando a proposta, o governo pretende executar a negociação das obrigações privadas dos MEIs através do Desenrola 3.0, um programa que adquirirá débitos junto a instituições bancárias e financeiras. Conforme informações do ministério responsável, o montante dessas dívidas alcança R$ 6 bilhões. A operação será conduzida por edital e exigirá reduções de no mínimo 90% nos valores owed pelos credores. A expectativa é que a eliminação concomitante de pendências públicas e privadas facilite o acesso dos empreendedores a novas modalidades de financiamento.
Outra iniciativa integra a criação do Pix MEI, um programa de transferência direta de recursos para investimentos produtivos. A proposta destina-se a repassar até R$ 5 mil para aquisição de equipamentos e implementações de melhorias nos negócios, sem características de empréstimo. O recurso virá acompanhado de assistência técnica e orientações para estruturação adequada de projetos. Simultaneamente, o governo ampliará o teto de faturamento anual da categoria, sem reajustes havia oito anos, prevendo elevação para R$ 110 mil no próximo exercício e R$ 140 mil em 2028.
A quinta medida consiste em um decreto que estabelece segurança jurídica à dispensa de emissão de nota fiscal em transações com consumidores pessoa física, incluindo os denominados nanoMEIs. Conforme indicado pela administração, todas essas soluções resultam de demandas levantadas pelos próprios empreendedores e serão materializadas através de projetos de lei e normativos. O objetivo central é criar condições para que mais brasileiros ampliem seus empreendimentos, gerem renda adicional e melhorem sua qualidade de vida economicamente.