O executivo paraguaio apresentou formalmente uma demanda ao Brasil pela repatriação de peças históricas relacionadas à Guerra da Tríplice Aliança, conflito que devastou a região entre 1865 e 1870. O pedido foi encaminhado na última sexta-feira, dia 31 de julho, diretamente ao embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, através de comunicado diplomático oficial.
A iniciativa faz parte de um movimento estratégico para fortalecer as relações bilaterais entre os dois países sul-americanos. O vice-presidente paraguaio Pedro Alliana coordenou a entrega da documentação e enfatizou que a devolução desses itens simbolizaria um ato de aproximação e boa vontade entre as nações. Segundo a posição paraguaia, a restituição contribuiria para um processo genuíno de reconciliação histórica e aprendizado mútuo.
Entre os objetos reclamados destacam-se dois canhões de significativa importância simbólica para a memória nacional paraguaia, além de documentos gerados antes do período bélico. Um dos canhões mais relevantes é conhecido como El Cristiano, que integra atualmente o acervo do Museu Histórico Nacional brasileiro. Para o Paraguai, essa peça representa não apenas um instrumento de guerra, mas um testemunho tangível do esforço coletivo durante o conflito, tendo participado da Batalha de Curupaiti, considerada uma das principais vitórias militares paraguaias no período.
O momento da solicitação conecta-se às recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante visita realizada em 24 de julho a uma unidade de fabricação de armamentos em São Paulo, o presidente brasileiro mencionou a invasão de Corumbá, localizada em Mato Grosso do Sul, executada por forças paraguaias em 1865. Lula utilizou o episódio histórico para argumentar sobre a necessidade de investimento em defesa nacional robusta.
A nota diplomática apresentada pela delegação paraguaia defende que a devolução dos troféus de conflito, associada ao fornecimento de cópias de documentos históricos relevantes, representaria uma contribuição significativa para o estreitamento das relações bilaterais. O governo de Assunção reitera sua disposição para manter um diálogo respeitoso e construtivo, considerando que a história compartilhada deve servir como ferramenta educativa e elemento de união entre os povos, não como fator de divisão ou ressentimento.