A possibilidade de o Paraná conquistar duas pastas ministeriais no governo que será iniciado em 5 de janeiro de 2027 ganha força entre analistas políticos. A deputada federal Gleisi Hoffmann e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca surgem como nomes cotados para integrar o primeiro escalão do presidente Lula, consolidando a influência política paranaense no âmbito federal.
O fortalecimento da representação estadual baseia-se no desempenho eleitoral expressivo do Paraná nas eleições recentes. O presidente obteve crescimento significativo entre o primeiro e segundo turno em território paranaense. Na capital, Lula saltou de 332.099 votos na primeira votação para 425.092 na segunda rodada, representando um acréscimo de aproximadamente 93 mil sufragios. Em termos percentuais, a evolução foi de 30,37% para 37,71%. Simultaneamente, a abstenção em Curitiba diminuiu expressivamente, com cerca de 31 mil eleitores que não participaram da primeira votação comparecendo no segundo turno.
O crescimento de Lula foi observado nos 399 municípios paranaenses, consolidando um apoio estadual que ultrapassou 37% dos votos. Rafael Greca, que já ocupou o cargo de ministro do Esporte e Turismo além de governar Curitiba em três mandatos, declarou voto no presidente durante um evento no bairro Bom Retiro em 19 de outubro. Essa posição reforçou sua proximidade com a administração federal e pode impulsionar sua nomeação para os ministérios da Cultura ou das Cidades, áreas que naturalmente se alinham com seu histórico administrativo.
Atualmente, o estado do Paraná carece de um interlocutor com influência relevante na esfera ministerial federal, tornando a incorporação de representantes paranaenses uma estratégia política importante. O presidente Lula, que iniciou a composição de seu quarto governo, manifestou intenção de renovar a equipe ministerial. A possível nomeação desses quadros não representaria meramente uma compensação por lealdade política, mas constituiria uma aproximação deliberada com eleitorado que historicamente não gravita exclusivamente ao redor do PT.
A análise política sugere que essa movimentação no primeiro escalão federal reflete o reconhecimento do potencial eleitoral paranaense e a necessidade de ampliar as bases de sustentação da administração entre diferentes segmentos da população estadual. Com a montagem da nova composição governamental em andamento, as semanas que antecedem a posse em janeiro tendem a revelar as confirmações dessas especulações sobre a representatividade paranaense nas estruturas do poder executivo federal.