PM do Paraná descarta aprovados em concurso mas convoca inativos e abre novo edital

PM do Paraná descarta aprovados em concurso mas convoca inativos e abre novo edital

O governo do Paraná enfrenta questionamentos sobre a gestão de pessoal da Polícia Militar após eliminar centenas de candidatos aprovados no último concurso. A decisão, fundamentada no item 8.3.2 do edital, cortou todos os participantes que ultrapassaram o número de vagas estabelecido por região, mesmo aqueles com notas suficientes para aprovação. Na primeira região, que compreende Curitiba, o corte começou a partir da 873ª colocação entre os candidatos de ampla concorrência.

A sequência de ações do estado levanta dúvidas sobre o planejamento de reposição de efetivo. Em 18 de fevereiro de 2026, a Diretoria de Gestão de Pessoas da PMPR publicou edital convocando militares estaduais inativos para retorno voluntário e transitório ao serviço ativo. Pouco mais de um mês depois, em 27 de março de 2026, o governo autorizou a ampliação de vagas nos concursos em andamento e também a abertura de um novo certame, sob justificativa de suprir necessidade de pessoal na Secretaria de Estado da Segurança Pública.

O Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC) organizou o concurso da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Paraná, com custo de R$ 8.630.000,00 para a Secretaria de Estado da Segurança Pública, conforme o Contrato nº 0535/2024-GMS. A ampliação de vagas posterior previa 4 mil posições para soldado da PM e 1.200 para soldado do Corpo de Bombeiros, ainda assim deixando aprovados eliminados fora da nova lista de corte.

A situação gerou representação junto ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) e suscita questões técnicas e financeiras. Especialistas e candidatos questionam por que o estado não aproveeitou primeiro quem já havia sido aprovado na prova discursiva, se realmente havia falta de efetivo nas ruas. Além disso, indagam qual estudo técnico fundamentou a abertura de novo concurso em vez de simplesmente ampliar o número de vagas do certame já em andamento, considerando os custos envolvidos.

A convocação de policiais aposentados costuma ser considerada medida excepcional no âmbito da administração pública. Neste caso, ela ocorreu antes de esgotar a lista de aprovados do concurso vigente, gerando dúvidas sobre o planejamento integrado de reposição de efetivo. Críticos apontam que a falta de transparência sobre decisões orçamentárias, cronogramas do novo edital e comparação de custos entre diferentes modelos de contratação prejudica a avaliação da adequação das escolhas feitas pelo governo do estado.

Compartilhe essa matéria: