A Polícia Militar do Paraná mantém operacional a Patrulha Maria da Penha, um núcleo especializado que vem ampliando a efetividade da legislação de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica no estado. Com o objetivo de transformar as decisões judiciais em segurança prática no dia a dia, a equipe realiza acompanhamento contínuo de mulheres que possuem medidas protetivas de urgência, fiscalizando o cumprimento das decisões dos magistrados e integrando a rede estadual de proteção.
Entre junho de 2025 e junho de 2026, a Patrulha registrou mais de 120 mil visitas preventivas em todo o território paranaense. O acionamento da equipe ocorre de duas formas: imediatamente após o registro de um Boletim de Ocorrência ou através de encaminhamento direto do Poder Judiciário. Essa capilaridade garante que mulheres em situação de risco recebam monitoramento e orientação regular sobre seus direitos e sobre como identificar comportamentos que violam as medidas judiciais.
Durante as intervenções periódicas, os policiais executam duas funções complementares: garantir a integridade física das vítimas e instruí-las sobre as manobras de controle utilizadas pelos agressores que caracterizam descumprimento da lei. Entre as violações monitoradas constam a aproximação não autorizada do agressor, contatos realizados indiretamente por familiares ou amigos, e comunicações intimidadoras transmitidas por aplicativos de transferência bancária como o Pix. A identificação de qualquer violação deve ser reportada imediatamente à corporação para que medidas coercitivas sejam acionadas.
As autoridades policiais identificam o período pós-separação como momento de risco elevado no ciclo da violência. Essa é a fase em que intensificam-se as tentativas de controle e posse do agressor, aumentando exponencialmente a probabilidade de episódios trágicos. Quando constatado o descumprimento da ordem judicial, o agressor é detido imediatamente e encaminhado para a delegacia. O monitoramento constante nesta etapa crítica mostrou-se essencial para evitar desfechos violentos.
Para atacar as raízes estruturais do problema, a Patrulha Maria da Penha também investe em frentes educativas. As equipes realizam palestras regulares em instituições de ensino, universidades e ambientes corporativos, disseminando informações sobre direitos das mulheres, mecanismos de denúncia disponíveis e a importância de romper o silêncio diante de situações agressivas. Essa estratégia de prevenção complementa o trabalho de vigilância, criando um ecossistema mais consciente sobre a violência doméstica.