A segurança dos passageiros em ônibus urbanos ganhou maior visibilidade no Paraná diante de crescentes registros de acidentes e problemas identificados em auditorias realizadas por órgãos de controle. A Associação Paranaense dos Organismos de Inspeção Veicular (APOIA) ressalta que a questão demanda uma abordagem integrada, envolvendo manutenção dos veículos, inspeção técnica independente e monitoramento constante das frotas operacionais.
Os números de acidentes variam entre as principais cidades do estado. Curitiba contabilizou 1.135 sinistros envolvendo o transporte coletivo durante 2025, conforme informações da URBS baseadas em boletins das operadoras, representando uma média de três ocorrências diárias. O dado marca redução de 22% em relação aos 1.463 registros do ano anterior. Já em Londrina, o Relatório Anual de Segurança Viária da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) revelou 81 acidentes com ônibus em 2024, cifra que demonstra elevação de aproximadamente 45% comparada aos 56 casos registrados em 2023. Importante destacar que esses levantamentos abrangem períodos e metodologias diferentes, impossibilitando atribuir os sinistros, de forma genérica, exclusivamente a deficiências mecânicas.
O presidente da APOIA enfatiza que prevenção e incremento da segurança no transporte público demandam atenção a múltiplos aspectos, compreendendo comportamento do condutor, qualidade das vias urbanas e funcionamento adequado dos equipamentos. Segundo ele, surge necessidade de aprofundar o debate para qualificar o atendimento e diminuir riscos aos usuários. A inspeção veicular independente poderia complementar procedimentos de manutenção já existentes, agregando testes, registro de resultados e acompanhamento de correções. O passageiro, destaca, não possui condições de avaliar sistemas de freio, direção ou componentes mecânicos antes do embarque, dependendo integralmente de rotinas de controle estabelecidas pelas operadoras.
Auditorias realizadas por órgãos de controle identificaram vulnerabilidades específicas nas frotas. O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) examinou 104 ônibus de Curitiba em 2023, constatando seis veículos com funcionamento inadequado das plataformas elevatórias e 16 com defeitos nos interruptores de solicitação de parada. Os resultados foram divulgados em junho de 2025. Em Maringá, fiscalização vinculada ao Plano Anual de 2023 apontou oito questões relacionadas à gestão do transporte, incluindo condições gerais precárias dos veículos e problemas de acessibilidade nos ônibus e terminais. Tais situações podem impedir embarque de pessoas com mobilidade reduzida, prejudicando significativamente a qualidade do serviço prestado.
A inspeção técnica veicular utiliza equipamentos específicos para medir desempenho dos sistemas. O frenômetro, por exemplo, avalia esforços de frenagem e desequilíbrios conforme diretrizes técnicas do Inmetro, fornecendo dados objetivos sobre o desempenho dos freios. Os testes permitem orientar intervenções necessárias com critérios técnicos estabelecidos. Conforme o presidente da APOIA, manutenção e inspeção possuem funções complementares: enquanto a manutenção envolve conservação, ajustes e substituição de peças, a inspeção verifica itens conforme procedimentos aplicáveis. A aprovação em inspeção não dispensa manutenção contínua, pois os veículos continuam em operação e sujeitos a desgaste natural. Em Curitiba, são realizadas vistorias periódicas pela URBS nos ônibus da Rede Integrada. A discussão atual centra-se em como a inspeção independente pode complementar esses procedimentos já existentes, elevando padrões de segurança e confiabilidade do transporte público regional.