Setor de Turismo se Reorganiza com Aprovação de PEC que Encerra Escala 6×1

Setor de Turismo se Reorganiza com Aprovação de PEC que Encerra Escala 6x1

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6×1, concretizada em 14 de outubro de 2026, impõe um novo cenário operacional para as empresas brasileiras. O segmento de turismo, historicamente pressionado pela escassez de profissionais e pela necessidade de funcionamento contínuo durante 24 horas, já se mobiliza para adaptar suas estruturas a essa transformação legislativa.

A Atrio, empresa com 38 anos de trajetória, presença em 18 estados e administração de 108 propriedades, demonstra estar preparada para essa mudança. A organização desenvolveu um plano abrangente de gestão de pessoas que contempla questões de atração e retenção de talentos, incluindo modelos de jornada, estrutura remuneratória, benefícios e qualidade ambiental. Dentro dessa estratégia, a discussão sobre a reformulação da escala 6×1 já ocorria há meses, com testes práticos em duas unidades operacionais.

Conforme análise de Paulo Melega, vice-presidente da Atrio, a aprovação da PEC representa uma decisão antecipada e gera efeitos relevantes para o segmento. O executivo projeta que os impactos serão mais intensos no curto prazo, com possibilidade de atenuação mediante investimentos em tecnologia e ganhos de produtividade nos períodos médio e longo. As readequações envolvem dois eixos principais: reestruturação das escalas com mais dias de folga e redução da jornada semanal de 44 para 42 horas, com perspectiva de alcançar 40 horas em dois anos. Essas mudanças pressionam diretamente o custo de mão de obra, principal despesa operacional de estabelecimentos hoteleiros.

Danila Bernardi, sócia-diretora de BPO Financeiro na Athros Auditoria e Consultoria, ressalta que os desafios variam conforme o segmento econômico. Atividades com operação sete dias por semana—como hotelaria, gastronomia, saúde e varejo parcial—enfrentarão complexidades maiores. A redução de jornada sem corte salarial demandará contratações adicionais e elevará a despesa com folha de pagamento. Dependendo da atividade e das margens disponíveis, parte desses custos poderá ser transferida aos consumidores. A especialista enfatiza ainda o papel estratégico da tecnologia e produtividade nesse processo de transição.

O Grupo Schultz, criado há 40 anos e reconhecido como uma das maiores empresas de turismo no Brasil, já opera sob escala 5×2, com exceção de colaboradores em rodízio para plantões de vendas aos sábados. Ana Santana, diretora-geral do Grupo, informa que a equipe jurídica finaliza um plano de ação para os próximos passos, mantendo a confiança de que a mudança beneficiará tanto os profissionais quanto a empresa. Um exemplo concreto dessa transição é o TRYP by Wyndham São Paulo Paraíso, estabelecimento com 263 apartamentos localizado na capital paulista. A unidade implementou a escala 5×2 em fevereiro de 2024, atingindo 49 colaboradores. Os resultados após mais de dois anos apresentam dados relevantes: o índice anual de rotatividade declinou de 6% para 2,5%, representando redução relativa de aproximadamente 58%, enquanto a reorganização das jornadas resultou em aumento de cerca de 10% na folha de pagamento mensal. Segundo Patrícia Perrone, gerente-geral da unidade, a decisão antecipou uma transformação que agora ganha dimensão nacional.

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