A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo deflagrou uma mobilização para ampliar a cobertura vacinal contra o sarampo em três municípios após o registro de 23 casos confirmados da doença. A ação abrange a população com idade entre 6 meses e 59 anos nos territórios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, com imunização realizada nas Unidades Básicas de Saúde.
Entre os 23 pacientes com sarampo confirmado, dois foram classificados como casos importados, enquanto os demais estão relacionados à introdução do vírus no estado. Um aspecto preocupante foi identificado: 16 dos infectados apresentavam histórico vacinal incompleto ou nunca havia recebido imunização contra a doença. Este cenário evidencia a vulnerabilidade de comunidades com cobertura vacinal reduzida.
A orientação da pasta estadual recomenda que pessoas que se deslocarão temporariamente para as três cidades afetadas verifiquem sua situação vacinal antes da viagem. Para os demais municípios paulistas, a estratégia consiste em intensificar ações de verificação do histórico vacinal, busca ativa de pessoas com doses atrasadas e atualização conforme o Calendário Nacional de Vacinação. O Centro de Vigilância Epidemiológica explica que crianças a partir de 6 meses de idade desenvolvem resposta imunológica adequada à vacina tríplice viral, período em que os anticorpos maternos começam a diminuir.
Determinados grupos populacionais necessitam de atenção especial. Gestantes não podem receber o imunizante por se tratar de vacina com vírus atenuados, assim como pessoas com imunodeficiência grave ou histórico de anafilaxia aos componentes da fórmula. Para maiores de 60 anos, a vacinação indiscriminada não é recomendada, pois a maioria já desenvolveu imunidade duradoura pelo contato natural com o vírus ao longo da vida. Lactantes, contudo, podem se vacinar normalmente sem necessidade de interromper a amamentação.
O Brasil mantém o status de país livre do sarampo reconhecido pela Organização Pan-Americana da Saúde, título reconquistado em anos recentes após intenso esforço de vacinação. Profissionais de saúde alertam que a situação atual resulta da combinação entre casos importados e existência de bolsões populacionais não vacinados. O sarampo circula ativamente em diversas regiões da Europa, Ásia e Américas, viajando através de pessoas infectadas. Quando um doente chega a comunidades com cobertura vacinal abaixo de 95%, o vírus encontra condições para disseminação. Especialistas ressaltam que o sarampo é altamente contagioso, com potencial de um infectado transmitir a doença para até 18 pessoas não imunizadas, exigindo resposta rápida envolvendo vigilância epidemiológica ativa, isolamento de suspeitos e confirmados, além de ações de bloqueio vacinal nos contatos em até 72 horas.