O estado do Paraná mantém a primeira colocação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) pela terceira edição consecutiva, consolidando sua posição como referência em educação básica no país. O indicador, divulgado pelo Ministério da Educação no início de agosto, revela avanços significativos na redução da diferença de desempenho entre as instituições de ensino público e privado estaduais, fenômeno que marca um ponto de inflexão na trajetória educacional paranaense.
A aproximação entre as redes educacionais é particularmente notável quando se observam os intervalos recentes. Entre 2019 e 2025, a diferença de desempenho caiu 60% no Ensino Médio, 50% nos anos finais do Fundamental e 37,5% nos anos iniciais da mesma etapa. Considerando um recorte temporal mais amplo, entre 2005 e 2025, as reduções alcançam 76,2% nos anos iniciais, 72,4% nos anos finais do Fundamental e 68% no Ensino Médio, demonstrando uma tendência estrutural de equalização.
Os números absolutos do desempenho público paranaense consolidam a liderança estadual. A rede pública alcançou 5,1 pontos no Ensino Médio, sendo a única unidade federativa acima da marca de cinco pontos nessa etapa considerada crítica. Nos anos finais do Fundamental, o resultado foi 5,8 pontos, enquanto nos anos iniciais registrou-se 6,9 pontos, ambos os melhores índices nacionais nas respectivas categorias.
A redução mais expressiva ocorre especificamente no Ensino Médio. Entre 2023 e 2025, a diferença de desempenho entre redes passou de 1,2 para 0,8 ponto, representando queda de 33,3% em apenas dois anos. Nos anos finais do Fundamental, o avanço da rede pública foi de 0,4 ponto (5,4 para 5,8), enquanto a privada avançou 0,2 ponto, reduzindo a diferença de 1,0 para 0,8 ponto (20% de redução). Nos anos iniciais, a diferença contraiu de 1,1 para 0,5 ponto, uma queda de 54,5% no período.
Esse desempenho resulta de investimentos estruturados desde 2019 pela Secretaria de Estado da Educação. O estado implementou 1.286 obras em unidades escolares, entre reformas, ampliações e novas construções, totalizando aproximadamente R$ 1,9 bilhão em investimentos, além da entrega de mais de 665 mil itens de mobiliário. Simultaneamente, foram alocados mais de R$ 900 milhões em inovação educacional, com expansão de conectividade e distribuição de equipamentos tecnológicos nas salas de aula.
As ações pedagógicas complementam a infraestrutura. O Paraná ampliou avaliações diagnósticas e implementou programas de recomposição de aprendizagem para identificar deficiências e orientar intervenções com maior precisão. Na disciplina de Matemática, por exemplo, foram expandidas ferramentas digitais, materiais específicos, docência compartilhada e recursos de inteligência artificial, acompanhados de formação continuada de docentes.
A valorização profissional integra essa estratégia. Em 2025, 4.427 professores e pedagogos foram admitidos na rede estadual, enquanto ocorreu ampliação da formação continuada e da carga horária de trabalho docente. Esses investimentos humanos refletem-se na frequência escolar: o estado registrou 86,6% de frequência no Ensino Médio em 2025, a maior taxa nacional, superando a média brasileira de 80,6%.