Uma iniciativa de estudantes de Ciência da Computação da Universidade Estadual de Maringá (UEM) conquistou reconhecimento e apoio financeiro da comunidade científica internacional. O Cardiac-Oriented Risk Assessment (CORA) é um sistema tecnológico desenvolvido pelo Ramo Estudantil IEEE da instituição maringaense, voltado ao monitoramento de pacientes cardíacos em tempo real. A aprovação veio por meio do IEEE Computer Society Emerging Technology Committee, que alocou dez mil dólares (equivalente a 51.030 reais) para viabilizar a execução do projeto.
A plataforma em desenvolvimento caracteriza-se pela proposta de ser um dispositivo vestível de baixo custo, combinando tecnologia de sensores como ECG, PPG e captores de movimento com inteligência artificial incorporada. A inovação principal reside na capacidade de processar dados fisiológicos diretamente no equipamento, sem necessidade de dependência de servidores em nuvem. Essa abordagem possibilita a identificação de sinais relacionados a eventos de risco cardíaco de maneira imediata, oferecendo potencial aplicação em pesquisa clínica e monitoramento contínuo de pacientes.
Durante um período de 12 meses, os estudantes envolvidos na iniciativa receberão qualificação em áreas estratégicas para a implementação do projeto. Entre os temas abordados estão ciência de dados, aprendizado de máquina (Machine Learning), processamento de sinais, programação de sistemas embarcados e desenvolvimento de componentes de hardware. O protótipo será construído utilizando microcontroladores, sensores especializados, comunicação sem fio e estruturas produzidas mediante impressão tridimensional, representando uma abordagem contemporânea e acessível para inovação tecnológica.
Conforme informado pela liderança do IEEE UEM, a iniciativa surgiu como extensão natural de trabalhos anteriores realizados pela entidade, particularmente de um projeto dedicado ao processamento de dados, análise de padrões e machine learning. A expectativa é que o sistema alcance sua forma operacional até dezembro de 2027. As etapas subsequentes envolvem a construção e refinamento do sistema, obtenção de aprovação junto ao comitê de ética da universidade e posterior implementação prática da solução desenvolvida.
Uma vez obtida a aprovação ética institucional, está previsto o desenvolvimento de testes com voluntários participantes, visando avaliar a funcionalidade prática do dispositivo e coletar dados fisiológicos reais para validação. Essa abordagem metodológica garante que a tecnologia atenda aos padrões científicos e éticos necessários antes de sua potencial aplicação em cenários clínicos. A conquista do financiamento internacional reforça o destaque de Maringá como polo de pesquisa e desenvolvimento tecnológico no segmento da saúde digital.