A glândula tireoide, estrutura pequena localizada na região frontal do pescoço, é o foco de uma mobilização nacional durante setembro. Identificado pelo símbolo do laço rosa e azul, o período de conscientização sobre o câncer dessa glândula traz à tona dados preocupantes: o Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 16.450 novos casos da doença em 2026 no território brasileiro.
A distribuição entre os gêneros revela disparidade significativa. Das estimativas para este ano, 13.310 diagnósticos ocorrerão entre mulheres, enquanto 3.140 atingirão homens. No ranking de neoplasias entre a população feminina, o tumor de tireoide ocupa a quinta posição de incidência no país, excluindo tumores de pele não melanoma, representando 5,1% dos novos diagnósticos previstos. No Paraná, especialistas projetam 640 novos casos, sendo 500 entre mulheres e 140 entre homens. Na capital paranaense, Curitiba, esperam-se 140 diagnósticos no ano.
Especialistas em oncologia enfatizam que nem todo nódulo na tireoide representa câncer. A Dra. Tabatha Dallagnol, oncologista do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), ressalta que a prevalência de nódulos varia entre 4% e 50% da população geral, dependendo da faixa etária e do método de detecção utilizado, enquanto o câncer efetivamente ocorre com frequência bastante inferior. A maioria absoluta desses nódulos apresenta característica benigna, não evoluindo para malignidade.
O carcinoma papilífero é a forma mais comum da doença, responsável por 50% a 80% dos casos registrados, de acordo com dados do INCA. Outras variações incluem o carcinoma folicular e o de células de Hürthle, cada qual com características e comportamentos distintos. Muitos pacientes não apresentam sintomas iniciais e descobrem o problema durante avaliações clínicas realizadas por outros motivos. Quando manifestações ocorrem, nódulos perceptíveis no pescoço, alterações na voz, dificuldade para engolir ou respirar justificam investigação médica adequada.
Entre os fatores de risco documentados encontram-se a exposição à radiação ionizante, principalmente durante infância e adolescência, predisposição genética e histórico familiar. O excesso de peso também correlaciona-se com risco aumentado da doença. Profissionais de saúde orientam que o principal caminho preventivo envolve manutenção de peso corporal saudável e procura por avaliação médica quando sinais de alarme surgem. A orientação atual desaconselha rastreamento indiscriminado em pessoas assintomáticas, uma vez que evidências científicas não demonstram mais benefícios que riscos nessa abordagem.