A capital paranaense intensificou seu planejamento para lidar com possíveis impactos do El Niño, contando com um fundo de reserva de R$ 327 milhões destinado a situações de emergência relacionadas a fenômenos climáticos extremos. A administração municipal projeta que este montante chegue a R$ 400 milhões ainda em 2026, reforçando a capacidade de resposta da cidade.
Com o objetivo de coordenar ações preventivas e de resposta, a Prefeitura estabeleceu um comitê gestor especial no mês anterior. Esta estrutura integra diferentes órgãos municipais para monitorar, planejar e mitigar os efeitos do fenômeno climático, que pode resultar em chuvas intensas, enchentes e deslizamentos de terra na região Sul do país.
O Fundo de Recuperação e Estabilização Fiscal (Funrec), criado em 2020, funciona como reserva para crises econômicas, desequilíbrios fiscais e calamidades públicas. Este mecanismo foi inovador ao ser o primeiro do país formado exclusivamente com recursos do superávit fiscal municipal. O fundo recebe entre 10% e 20% do superávit anual, respeitando o limite de 8% da Receita Corrente Líquida, e só pode ser utilizado com autorização do prefeito e aprovação de dois terços da Câmara Municipal.
A criação do fundo resultou do processo de recuperação fiscal iniciado em 2017 e ganhou ainda mais relevância após a pandemia de Covid-19, evidenciando a importância de manter reservas para situações imprevistas. O modelo foi inspirado em cidades norte-americanas como Detroit e Washington, que adotam estratégias semelhantes de estabilização financeira.
Curitiba desenvolve há anos políticas de adaptação às mudanças climáticas, incluindo obras de drenagem, preservação ambiental, monitoramento de áreas de risco e fortalecimento da Defesa Civil. As projeções da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos indicam alta probabilidade de formação do El Niño ao longo de 2026, com possibilidade de persistência até 2027, tornando essenciais os investimentos preventivos da cidade.