A Universidade Federal do Paraná (UFPR) oficializou sua participação no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia com foco em pesquisas em alimentos (INCT FoRC), estrutura recém-constituída que visa aproveitar melhor o potencial da flora nativa do país. Coordenado pela Universidade de São Paulo (USP), o instituto reúne múltiplas instituições de pesquisa, empresas inovadoras e parceiros estrangeiros em torno de um objetivo comum: converter a riqueza biológica brasileira em ingredientes e produtos alimentares de valor agregado.
Atualmente, apenas uma fração reduzida das espécies vegetais nativas é explorada na elaboração de alimentos, proporção que diminui ainda mais quando se considera produtos com propriedades funcionais que transcendem a nutrição elementar. O consórcio pretende mudar esse cenário através de um trabalho estruturado que abrange desde a identificação de componentes bioativos presentes em plantas nativas até a realização de pesquisas clínicas com participação de humanos, criando um caminho completo do conhecimento científico à aplicação prática.
A atuação do instituto foi organizada em três eixos estratégicos distintos. O primeiro concentra-se na prospecção e análise da biodiversidade vegetal, investigando suas contribuições para a saúde das populações. O segundo direciona-se ao desenho de metodologias biotecnológicas ecologicamente responsáveis para aplicação industrial. O terceiro estabelece uma conexão operacional entre os achados científicos, os agricultores e o público em geral, quantificando repercussões econômicas e reforçando as estruturas produtivas regionais.
O Instituto representa uma continuidade e expansão das iniciativas que começaram com a criação do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) em 2014. Para potencializar essa nova etapa, o consórcio dispõe de R$ 10 milhões em investimento, garantidos para o período de cinco anos, financiados conjuntamente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
A estrutura do projeto transcende a geração de publicações acadêmicas, funcionando como um sistema integrado que percorre toda a trajetória dos alimentos, partindo das condições naturais das plantas até sua utilização para elevar a qualidade de vida das pessoas e fortalecer modelos produtivos sustentáveis. O instituto trabalha diretamente com os produtores rurais visando identificar obstáculos operacionais e implementar aprimoramentos técnicos que potencializem cadeias produtivas locais.