A Faculdade de Tecnologia de Ivaiporã promoveu, no dia 15 de outubro, a décima edição da TecnoAgro, evento que reuniu aproximadamente 200 acadêmicos do curso de Agronomia para discutir desafios práticos do manejo agrícola. A programação contou com especialistas que abordaram três eixos principais: identificação e controle de plantas daninhas, avanços biotecnológicos em sementes de soja e monitoramento de insetos nas lavouras. O coordenador do curso de Agronomia, responsável pela organização, destacou a importância de reunir profissionais e alunos para compartilhar conhecimentos sobre situações que demandam análise técnica antes de qualquer recomendação aos produtores rurais.
A coordenação do evento ressaltou que a atuação do agrônomo é fundamental para o setor, especialmente diante das mudanças climáticas associadas ao fenômeno El Niño. Conforme colocado, os produtores necessitam de orientação especializada para tomar decisões adequadas no campo, considerando que as variações de temperatura e volume de chuva previstos para os próximos meses no Sul podem impactar significativamente o desenvolvimento das culturas.
Durante a programação, o professor do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá apresentou um panorama dos desafios no controle de plantas daninhas. Segundo a exposição, a diversidade de espécies invasoras representa um dos maiores obstáculos, dificultando o controle, elevando custos operacionais e podendo resultar em perdas de produtividade superiores a 90% em certas culturas. O especialista recomendou que o manejo inicie pela identificação correta da espécie presente na área, alertando que o uso repetido de um mesmo herbicida ou método durante vários anos pode gerar biótipos resistentes.
A sessão sobre biotecnologia apresentou a evolução tecnológica em sementes de soja, incluindo a variedade I2X, que oferece proteção contra seis tipos de lagartas e tolerância aos herbicidas glifosato e dicamba. O engenheiro agrônomo responsável pela apresentação também detalhou aspectos críticos na aplicação de defensivos, como a seleção adequada de pontas de pulverização, avaliação de condições climáticas como vento, umidade e temperatura, além de procedimentos de higienização de equipamentos e ajustes de velocidade e altura da barra do pulverizador. Foram ainda abordadas considerações sobre a presença de culturas sensíveis nas proximidades das áreas tratadas.
No Laboratório de Solos da instituição, ocorreu o minicurso sobre diagnóstico e monitoramento de insetos. A professora responsável, com formação em entomologia, conduziu atividades práticas envolvendo rotação dos acadêmicos por quatro estações temáticas: tomate, soja, trigo e café. Os grupos analisaram fotografias e evidências de problemas fitossanitários, responderam a questões estruturadas e elaboraram recomendações para cenários hipotéticos de produtor. Os exercícios contemplaram diferentes categorias de insetos — mastigadores e sugadores — e a importância dos inimigos naturais. Conforme explanado, a avaliação técnica prévia determina a necessidade de controle e a estratégia mais adequada, que pode combinar métodos químicos, biológicos, varietais ou genéticos.