A administração municipal de Apucarana finalizou o Censo POP 2026, primeiro levantamento oficial que mapeia a população em situação de rua da cidade. O estudo inédito entrevistou 123 pessoas durante os dias 23 e 24 de março, consolidando informações que orientarão as políticas sociais do município. Apucarana figura como o terceiro município paranaense a realizar este tipo de diagnóstico, reforçando seu compromisso com dados objetivos para formulação de ações públicas.
O perfil identificado no levantamento revela características marcantes da população entrevistada. Aproximadamente 95% dos participantes são homens, enquanto cerca de 50% relataram dormir nas ruas. A outra metade alterna entre abrigos institucionais e permanência nas vias públicas. Pessoas pardas e negras compõem a maior parcela do público estudado, evidenciando a sobreposição de desigualdades sociais e raciais na problemática da população em situação de rua.
Os dados demonstram que a dependência química e o álcool aparecem em mais de 40% dos casos documentados. Contudo, o censo revelou que a situação de rua não resulta de uma única causa. A ruptura de vínculos familiares figura como o segundo principal fator, acompanhado por questões ligadas a luto, desemprego, abandono, problemas de saúde e histórico de encarceramento. Adicionalmente, 37 pessoas, o equivalente a 37% da amostra, apresentam alguma forma de deficiência física ou mental.
A Secretaria Municipal de Assistência Social estruturou respostas concretas baseadas nos achados do censo. Entre as ações estão o reforço no acompanhamento dos atendidos, implementação do Plano de Acompanhamento Familiar (PAF), incremento nas passagens para deslocamentos entre municípios, além da ampliação de vagas e infraestrutura do Acolhimento de Inverno. Um projeto-piloto de acolhimento temporário de até três dias foi lançado para pessoas em trânsito, contando com integração da Guarda Civil Municipal nos finais de semana.
Os gestores municipais enfatizam a importância do diagnóstico para direcionar investimentos públicos conforme o grau de vulnerabilidade identificado. A abordagem integrada envolve articulação entre assistência social, saúde, reabilitação e acesso a benefícios socioassistenciais. O município aguarda o Censo Nacional enquanto utiliza os dados locais para aperfeiçoar o encaminhamento aos serviços públicos e estruturar respostas combinadas de acolhimento emergencial, acompanhamento continuado e reinserção social.