Maringá: voluntária acolhe 37 bebês e emociona com dedicação ao programa social

Maringá: voluntária acolhe 37 bebês e emociona com dedicação ao programa social

Uma moradora de Maringá completou 15 anos como voluntária do programa Família Acolhedora, tendo recebido em sua residência 37 crianças e bebês que aguardavam decisões judiciais sobre seu futuro. Aos 57 anos, Sueli Canejo abriu as portas de sua casa e seu coração para acolher recém-nascidos afastados judicialmente de suas famílias de origem, oferecendo cuidados e amor até que fossem encaminhados para reunificação familiar ou adoção.

O projeto Família Acolhedora funciona em nível nacional desde 2006 e chegou a Maringá em 2007. Desde então, a iniciativa já beneficiou 429 crianças e adolescentes na região. O programa identifica e capacita famílias voluntárias que abrem suas casas temporariamente para crianças em situação de vulnerabilidade, funcionando como uma ponte até que a Justiça determine o melhor caminho para cada menor. Em 2026, Maringá contava com 27 famílias cadastradas e ativas nesta missão.

A jornada de Sueli começou quando conheceu outra mãe acolhedora enquanto acompanhava seu filho a uma consulta médica, há mais de uma década e meia. Impressionada com a proposta, decidiu dedicar-se ao acolhimento de bebês recém-nascidos. Sua casa possui um quarto especialmente preparado para receber os pequenos hóspedes, equipado com enxovais completos contendo roupas, sapatinhos e brinquedos. Cada criança recebe cuidados que extrapolam o aspecto material, incluindo afeto maternal e uma rotina estruturada durante sua permanência.

O núcleo familiar de Sueli integrou-se completamente ao processo de acolhimento. Seus filhos, inicialmente adolescentes, amadureceram e hoje, como adultos, envolvem-se ativamente na recepção dos novos integrantes temporários da família. O marido e a nora também participam oferecendo apoio logístico. As visitas dominicais para almoço tornaram-se ocasiões para conhecer os novos irmãos e irmãs. A voluntária destaca que dispõe de uma sólida rede de apoio que a auxilia quando precisa se ausentar ou cumprir compromissos pessoais.

O momento do desligamento permanece como a parte mais desafiadora da experiência. Quando as crianças deixam a casa para encontrar suas famílias definitivas, o sentimento de perda acompanha a voluntária. Para elaborar esse processo emocional, Sueli realiza registros fotográficos documentando toda a trajetória de cada criança em sua casa, criando álbuns que servem tanto para as famílias adotantes quanto para as próprias crianças compreenderem que foram amadas e cuidadas durante aquele período específico. Apesar da dor inevitável das despedidas, Sueli reafirma que o sentimento de dever cumprido supera qualquer sofrimento transitório, reforçando o impacto positivo de sua dedicação.

Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que mais de 2 mil crianças residem em lares temporários em todo o Brasil. O Paraná lidera em participação, concentrando um quinto de todas as famílias voluntárias do país, com o programa alcançando 115 municípios estaduais. Cada criança permanece sob cuidados provisórios por aproximadamente dois meses. Para participar do programa, as famílias interessadas devem cumprir requisitos específicos, incluindo a confirmação de que não possuem intenção de adotar ou não estão cadastradas em filas de adoção, garantindo assim que o acolhimento seja genuinamente temporário e focado na melhor solução para cada criança.

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